sábado, 9 de janeiro de 2010

As Cidades e os Muros

Carlos Vogt apresenta o gigantismo progressivo das cidades como conseqüência da revolução “científico-tecnológica” iniciada no século XIX, e ainda mais acentuada, melhor dizendo, exacerbada, pela globalização. Dados da ONU afirmam que enquanto em 1950 havia apenas 100 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, estima-se que em 2025 teremos em torno de 527 destas; a maioria situada em países em desenvolvimento; leia-se, subdesenvolvidos. Apesar da produção de riqueza crescer cada vez mais, é fato de que a maior parte desta está concentrada nas mãos de uma pequena minoria de “poderosos”. Ou seja, sua divisão diminui e seu volume se concentra. Em 1820, tínhamos uma diferença de renda entre países ricos e pobres em torno de 3 para 1; em 1970 passou a 44 para 1; atualmente esta diferença é de 80 para 1. Enquanto a renda per capita de Nova Iorque é de 12.420 dólares, em Lagos (Nigéria) a renda é de 68 dólares. Importante ressaltar que esta cidade está prevista para tornar-se a maior cidade do mundo até 2015. Abordando a realidade brasileira, podemos citar a cidade de São Paulo, caracterizada como uma cidade global com aproximadamente 20 milhões de habitantes: Segundo dados de 2002, já havia 589 mil famílias vivendo abaixo da linha de pobreza, e 311 mil sem qualquer rendimento. Constatamos que o crescimento dessas cidades se deu sem o devido planejamento e verdadeira ausência de políticas sociais eficazes. Vogt traça uma análise marxista para definir e tentar redefinir esse quadro; considerando que isso é decorrente da materialidade histórica, portanto, possível de conter. As tentativas de contenção, segundo ele, mais se comparam a um “show pirotécnico” promovido pelos agentes concentradores de riqueza, para desconcentrar as massas de deserdados à margem da sociedade, de forma que sequer consigam analisar claramente sua própria vida e de suas famílias. Até mesmo o conhecimento foi transformado em mercadoria: parte da “cultura de consumo” vigente, produto da sociedade globalizada. Vogt aponta a urgência em empreender-se uma “nova ideologia libertária” em relação à ditadura da economia; esforços em levar adiante a luta pela "utopia" da cidade de nossa infância, onde brilha nossa pátria e onde ninguém jamais esteve.

Resumo de Antonia Sá

Nenhum comentário:

Postar um comentário